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“Eu não sou assim” quando uma frase se transforma numa desculpa para não mudar

Há uma frase que repetimos muitas vezes ao longo da vida:

“Eu não sou assim.”

À primeira vista, parece apenas uma afirmação sobre quem somos. Uma forma de defendermos a nossa personalidade, os nossos valores ou a nossa maneira de estar.

Mas, por vezes, esta pequena frase esconde algo muito maior.

Pode transformar-se numa desculpa.

Uma desculpa para não mudar.
Para não reconhecer um defeito.
Para não pedir desculpa.
Para não experimentar algo novo.
Para não ouvir quem está ao nosso lado.
Para não sair da nossa zona de conforto.
Para não fazer o esforço necessário para sermos melhores.

Dizemos:

“Eu não sou assim.”

Quando talvez devêssemos perguntar:

“Porque é que eu não posso ser um pouco melhor?”

Ser quem somos não significa permanecer iguais

Existe uma diferença enorme entre preservar a nossa identidade e utilizar a nossa personalidade como justificação para tudo aquilo que fazemos.

Podemos ser pessoas determinadas sem sermos arrogantes.

Podemos ter convicções fortes sem deixarmos de ouvir.

Podemos ser reservados e, ainda assim, aprender a demonstrar carinho.

Podemos ter cometido erros durante anos e decidir hoje que não queremos continuar a repeti-los.

Podemos reconhecer as nossas fragilidades sem perder a nossa dignidade.

Porque crescer não significa deixar de ser quem somos.

Crescer significa descobrir quem ainda podemos ser.

A nossa personalidade não deve ser uma prisão construída à volta dos nossos defeitos.

Deve ser um ponto de partida.

A melhor versão de nós próprios

Fala-se muito em procurar “a melhor versão de nós próprios”.

Mas essa melhor versão não é uma pessoa perfeita.

Não existe.

A melhor versão de nós próprios é aquela que consegue olhar honestamente para dentro e reconhecer:

“Aqui posso melhorar.”

É aquela que consegue dizer:

“Errei.”

“Desculpa.”

“Vou tentar novamente.”

“Preciso de aprender.”

“Talvez não tenha razão.”

“Posso fazer diferente.”

Existe uma enorme força na pessoa que consegue reconhecer as suas próprias limitações.

Porque a verdadeira mudança começa quando deixamos de gastar energia a justificar aquilo que somos e começamos a investir essa energia naquilo que podemos vir a ser.

O coração também precisa de movimento

A vida não acontece apenas à nossa volta.

Acontece dentro de nós.

Em cada emoção.

Em cada decisão.

Em cada palavra.

Em cada silêncio.

Em cada batida do coração.

E talvez devêssemos ter mais respeito por cada uma dessas batidas.

Porque nenhuma delas volta.

Cada batida é um pequeno instante de vida que nos foi entregue.

Por isso, viver não deveria ser apenas existir.

Deveria ser sentir.

Aprender.

Amar.

Perdoar.

Sorrir.

Ajudar.

Descobrir.

Cair e voltar a levantar.

Ter coragem para mudar aquilo que precisa de ser mudado e sabedoria para preservar aquilo que verdadeiramente importa.

Ser mais vibrante na paz e na alegria de simplesmente ser

Vivemos numa sociedade que nos ensina constantemente a querer mais.

Mais reconhecimento.

Mais dinheiro.

Mais coisas.

Mais seguidores.

Mais sucesso.

Mais aprovação.

Mas talvez exista uma riqueza muito maior e mais difícil de conquistar:

a paz de simplesmente ser.

Acordar e perceber que estamos vivos.

Sentir o ar.

Olhar o céu.

Ouvir alguém de quem gostamos.

Dar um abraço.

Partilhar uma conversa.

Sentir o silêncio.

Agradecer.

Não precisamos de viver permanentemente em euforia para termos uma vida vibrante.

Uma vida vibrante pode ser profundamente tranquila.

Pode existir intensidade na paz.

Pode existir felicidade na simplicidade.

Pode existir riqueza num momento que não custou absolutamente nada.

Humildade é perceber que ainda temos muito para aprender

Talvez uma das maiores barreiras à mudança seja o orgulho.

Quando acreditamos que já sabemos tudo sobre nós próprios, deixamos de crescer.

Quando acreditamos que os outros estão sempre errados, deixamos de ouvir.

Quando transformamos os nossos defeitos em características imutáveis da personalidade, deixamos de tentar.

“Sou assim.”

“Tenho este feitio.”

“Quem gosta de mim tem de me aceitar.”

Mas aceitar alguém não significa aceitar tudo.

Amar alguém também pode significar ajudá-lo a perceber onde pode crescer.

E amar-nos a nós próprios não significa considerar que tudo em nós está certo.

Pelo contrário.

Talvez uma das maiores formas de amor-próprio seja termos coragem para reconhecer aquilo que precisamos de mudar.

Humildade não é pensar menos de nós. É perceber que nunca deixamos de ter algo para aprender.

Tudo pode mudar no instante seguinte

Há ainda uma razão muito simples para não adiarmos demasiado a vida.

Não sabemos quanto tempo temos.

Planeamos amanhã como se amanhã estivesse garantido.

Marcamos coisas para depois.

Adiamos conversas.

Guardamos abraços.

Carregamos ressentimentos.

Esperamos pelo momento perfeito para mudar.

Mas a vida não assinou nenhum contrato connosco garantindo que tudo continuará igual.

No instante seguinte, uma notícia pode mudar tudo.

Uma chamada pode mudar tudo.

Um encontro pode mudar tudo.

Uma despedida pode mudar tudo.

Uma oportunidade pode mudar tudo.

Por isso, talvez a pergunta não seja:

“Porque haveria eu de mudar?”

Talvez seja:

“Se posso ser melhor hoje, porque haveria de esperar por amanhã?”

Não digas apenas “eu não sou assim”

Da próxima vez que sentires vontade de dizer:

“Eu não sou assim”, experimenta parar por alguns segundos.

Pergunta a ti próprio:

Estou a proteger aquilo que verdadeiramente sou?

Ou estou apenas a proteger uma zona confortável onde não preciso de mudar?

Talvez descubras que existe dentro de ti uma versão que ainda não conheces.

Mais paciente.

Mais corajosa.

Mais generosa.

Mais humilde.

Mais disponível para amar.

Mais capaz de perdoar.

Mais aberta à vida.

Não precisas de deixar de ser tu.

Precisas apenas de não impedir que o melhor de ti apareça.

Porque ser diferente não significa transformar-nos noutra pessoa.

Ser diferente é procurar, todos os dias, a melhor versão de nós próprios.

Com respeito por cada batida do coração.

Com alegria por simplesmente estarmos vivos.

Com paz perante aquilo que não podemos controlar.

Com coragem para mudar aquilo que podemos.

E, acima de tudo, com humildade suficiente para compreender que ainda temos muito caminho para percorrer.

Hoje tens mais uma oportunidade.

Mais uma página.

Mais uma escolha.

Mais uma batida do coração.

A vida é agora.

Escolhe crescer. Escolhe amar. Escolhe ser melhor. Escolhe ser luz.

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